ENTREVISTA: Márcia Dantas fala sobre sua carreira, micos, pandemia, companheiros do SBT e muito mais - Virou Pauta

ENTREVISTA: Márcia Dantas fala sobre sua carreira, micos, pandemia, companheiros do SBT e muito mais

ENTREVISTA: Márcia Dantas fala sobre sua carreira, micos, pandemia, companheiros do SBT e muito mais
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Estrela do jornalismo do SBT, Márcia Dantas fez seu nome entre os novos talentos da TV. Antes comandante de informativos locais em outras emissoras do Pará, não demorou muito para de repórter, ter sido promovida a apresentadora titular do jornalístico matinal da emissora paulista.

A Paraense aposta em seus ideais com autenticidade e voz ativa em suas opiniões. Ela fala sobre sua trajetória na carreira, experiência diante a pandemia, micos e muito mais em uma entrevista exclusiva ao portal Virou Pauta.

Como foi se mudar pra São Paulo?

Na verdade, eu era da Record. Fiquei cinco anos no ar sendo apresentadora de um jornal já consolidado matinal. Já era apresentadora e repórter de rede e ficava fazendo alguns intercâmbios com São Paulo para cobrir férias e uma licença maternidade como repórter. Nessas idas e vindas eu acabei conhecendo o meu ex-marido que é o pai do meu filho Gabriel.

Eu já tinha vontade de morar em São Paulo, era uma meta. Então na última vez que eu voltei para Belém, eu já namorava e tinha na minha cabeça que ia pedir demissão pra vir embora. Achei que na época teria uma vaga em São Paulo, mas não foi o que aconteceu. Vim mesmo sem emprego, na cara e na coragem.

Juntei uma grana para ficar um tempo sem emprego. Só que no meio desse tempo acabei engravidando e fiquei um ano praticamente sem trabalhar. Quando meu filho completou oito meses eu comecei no SBT, em novembro de 2016.

Você sempre quis ser jornalista? Como chegou ao jornalismo?

Fiz teatro amador na escola por muitos anos, sempre gostei muito dessa parte de letras (risos).

Sempre fui dessa área artística, nunca gostei muito de esportes. Fazia todas as coisas culturais da escola: cantava, fazia teatro, música, toco violão, enfim. Queria num primeiro momento estudar cênicas, mas não tinha faculdade em Belém. Minha mãe falou pra eu escolher outro curso porque não ia me deixar ir embora antes de terminar uma faculdade. Então, decidi fazer jornalismo porque eu sempre gostei de escrever, sempre ia bem em redações e literatura, ganhei concursos de poesia.


Nem pretendia entrar para a televisão, não era um sonho. Mas, logo no meu primeiro estágio, estagiei em televisão e com 21 anos já era apresentadora de um Jornal da Band! Depois eu voltei pra rua como repórter na Record e com oito meses de Record virei apresentadora. Aqui em São Paulo também como repórter, em quase dois anos.

Existe alguém que você admire no meio jornalistico? Uma inspiração?

Gosto muito da Sônia Bridi. A Sônia para mim é uma repórter espetacular! Tem também a Simone Queiroz que é repórter do SBT, que é uma referência pra mim na área, ela tá aí desde a época do “Aqui Agora”. Enfim, sempre falo pra ela que ela é minha referência no texto, como profissional, eu á admiro muito. Ela é muito autêntica e ao mesmo tempo generosa. Já estive na rua fazendo matérias que eu liguei para ela e falei “Si, o que você acha dessa passagem, como é que você faria?” e ela super atenciosa me falava “Não Marcinha, mas você vai falar o quê? Vai fazer o que?”. Maravilhosa como pessoa e como profissional.

Chamou muita atenção quando, ao vivo no Fofocalizando você sofreu um atentado de furto no velório do cantor Gabriel Diniz. Como foi essa situação? Já passou por algo desconfortável nestes anos de reportagem de rua?

Coleciono alguns micos! Tem até site com Top 10 dos meus micos (risos). Diziam que eu era a repórter azarada, mas na verdade, sempre fui uma repórter bem sortuda. Acho que o repórter tem que estar na hora certa e no lugar certo noticiando a história e se colocando sempre na situação. Ser repórter de redação eu acho ruim pra mim. Tem que sentir a adrenalina da rua, isso pra mim faz a diferença, inclusive pra ser um bom apresentador. Na minha opinião, tem que ter passado pela rua para pegar toda essa experiência do ao vivo para saber comentar e improvisar.

Essa foi a mais inusitada de todas sem dúvidas! Eu estava no meio do velório e de repente eu sinto uma mão puxando meu celular e quando olhei pra trás o ladrão estava com o meu celular na mão, imediatamente comecei a gritar e ele jogou o celular no chão e eu recuperei o aparelho. Em seguida, liguei pra polícia e ele foi preso. Acabou viralizando, mas, cheguei a viralizar em outros momentos, como quando o guarda-chuva quase me levou, já meti o pé lama e a bota ficou presa, em Suzano eu também fui julgada pela questão de ter chegado pra entrevistar uma mãe que gritou no microfone, enfim.


Uma época eu até ganhei apelido na redação que eu era o “para raio da notícia”, porque onde eu estava a coisa acontecia. Sempre me dediquei muito, sempre tive uma energia muito pra cima. Já pulei muro de marginal atrás de acidente, já briguei com um bombeiro para cobrir incêndio. Sempre fui muito ativa como repórter, acho que isso faz a diferença.

Como foi assumir a apresentação de um telejornal em rede nacional? Já que o mesmo contava com dois apresentadores consolidados e o Silvio enxergou esse potêncial em você, foi na hora certa?

Tudo na minha vida aconteceu no momento certo, naturalmente. Nunca planejei muito, nunca fui pedir para ser apresentadora. Fiquei muito surpresa! Não esperava que acontecesse tão rápido. Eu cobria os dois (Dudu e Marcão), já era substituta de ambos há um ano.

Meu piloto para cobrir os dois foi avaliado pelo Silvio. Me lembro muito bem no dia que eu recebi a ligação dizendo que o meu piloto tinha sido aprovado. Eu pulei igual uma louca aqui em casa e sai gritando, porque pra mim só de o Silvio saber quem eu era, já era muito maravilhoso. Era um sonho participar do programa dele, e ele aprovar o piloto foi sensacional, uma vitória pra mim.

Eu jamais imaginei que ele iria me colocar na apresentação, e foi logo depois que eu participei do programa dele quando fiz o jogo dos pontinhos junto com Nascimento. Lembro de quando entrei no palco do programa e a música tocou, subiu um frio na espinha, me lembrei das minhas tias que sempre assistiam o Silvio na minha casa o domingo inteiro, então é aquela memória afetiva né. Quando soube da apresentação, nunca me disseram “olha foi o Silvio”, mas sei que as coisas acontecem assim no SBT e fiquei me sentindo privilegiada, orgulhosa e com uma baita responsabilidade de fazer o meu melhor, e estar fazendo jus a essa responsabilidade que ele me deu.

Como é trabalhar com Marcão e Dudu? Vocês se dão bem?

Sim, a gente tem uma ótima relação! Tanto com o Dudu, quanto com o Marcão. Eles sempre me apoiaram muito nesse processo de virar apresentadora. E agora, quando estava tirando férias do Marcão, o Dudu super me recebeu bem, inventou até um apelido que sou a “mulher maravilha do jornalismo Brasileiro”. E o Marcão a mesma coisa, sempre me apoiou muito. Ele me valorizava muito no ar, como profissional. Não tenho do que reclamar da postura dos dois, graças a deus.

O primeiro impacto aposta em coberturas policias, do cotidiano do Brasileiro. Você como mulher traz um ar feminino e humano se colocando por diversas vezes no lugar das vítimas. Como é ser mulher, comandar um telejornal policial e ainda bater de frente com a concorrência?

É essencial termos uma voz feminina hoje no jornalismo policial. De forma geral, me vejo como a única mulher hoje em rede nacional fazendo isso. Sempre que vejo alguma reportagem que possa colocar meu lado humano, que possa chamar a atenção para a violência contra mulher, para o assédio, abuso, também os crimes contra crianças e adolescentes coloco a minha voz nesse ponto.

Na minha profissão já sofri assédio e também na rua por ser mulher. Então não é só a voz da vítima. É eu também me colocar como vítima por já ter passado. Quando eu falo isso a mulher que tá em casa se vê também, e causa empatia e reciprocidade do público que acompanha o jornal. Já ouvi muitas mulheres que dizem “eu gosto quando você fala” e eu falo a realidade, “isso aqui é maquiagem. Tenho espinha, celulite como você e já fui gordinha. Mulher se ame como você é!”, falo muito sobre essa aceitação feminina. Acho que trago um pouco dessa verdade do que é ser mulher hoje na sociedade e da nossa responsabilidade.


É muito importante, e eu tenho cada dia mais tomado posse dessa responsabilidade de me posicionar, e no SBT eu consigo ser a Márcia jornalista, a Márcia mãe, a Marcia mulher, e além disso, ser a Marcia que coloca opinião. Sou Grata ao SBT por isso, por ter total liberdade para ser o que a gente é além de noticiar, o que acho que faz a diferença no produto final.

Alguns episódios chamaram a atenção do público com essas suas colocações, como recentemente a sua emoção ao noticiar o caso do menino Miguel, e até no carnaval o seu relato de assédio. Você da uma segurada ao noticiar casos assim?

Realmente eu me seguro em muitos momentos. Preciso segurar porque senão eu não consigo continuar o jornal.

Teve uma vez, era véspera de natal e eu estava super sensível com saudade da minha família. A gente fez ao vivo com moradores de rua e uma mãe acabou vendo o filho através do jornal lá da Bahia. Recebemos uma ligação e o filho começou a falar com ela, um morador de rua. Só de lembrar eu me emociono por serem pessoas invisíveis na sociedade e de repente damos voz àquelas pessoas pra conversarem com as famílias de longe assim. Foi uma gratidão de eu estar fazendo aquele papel ali, eu só conseguia chorar. A repórter Fernanda que teve que conduzir, ela começou a falar da minha família… aí pronto! Ela disse que minha mãe deveria estar me assistindo, super orgulhosa em Belém, foi aí que eu chorei mesmo. Na medida do possível eu demonstro, mas tenho que engolir mesmo se não, eu não consigo seguir.

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O primeiro impacto recentemente quase ganhou uma edição no horário vespertino. O que você achou disso? Tem vontade de trocar de horário?

Acho que foi um teste do Silvio, ele é visionário. Faz essas coisas justamente para testar todos os produtos em horários diferentes e eu não posso julgar, imagina. Ele tem a capacidade total de mexer, a emissora é dele e eu acho que se tivesse dado certo talvez ele teria dado um jornal para aquele horário. Ele tem, talvez, essa intenção de ter o jornal no horário vespertino e vai escolher o apresentador do horário, e eu topo, eu sou pau para toda obra, eu vou em qualquer horário que ele colocar. E se um dia ele me colocar no entretenimento também vou! Eu sou muito aberta a todas as possibilidades e se deus quiser eu acho que ainda tenho planos ainda no SBT para mim. Tomara que sim.

Em tempos de pandemia podemos valorizar ainda mais o jornalista. Como está sendo pra você, e no SBT trabalhar no meio desta crise?

Está sendo um desafio pra todo mundo. A gente na redação tem um distanciamento social: cadeiras mudaram de lugar, usar máscara e álcool em gel. Só não uso máscara no estúdio. Estamos cada vez mais com dificuldade de ter fontes em relação há números de mortos, conseguir pessoas para falarem nas reportagens sobre os assuntos por conta disso.

Tem muita gente que tem medo de receber equipe de reportagem em casa por causa da pandemia. O jornalismo está se reinventando e a gente vai sair mais forte disso tudo. Não só como jornalistas, mas também como seres humanos mais solidários e prestativos.


Tenho descoberto em mim mesma essa questão da solidariedade e do voluntariado muito mais forte. O jornalismo tem esse papel também cada vez mais social, em plena pandemia de mostrar às pessoas o que é preciso mesmo, que é se cuidar e ficar em casa. Todo dia a gente tem entrevistado especialistas por Skype, infectologistas pessoas que falem sobre o tema para levar informação e acho que é isso que vai salvar muitas vidas com certeza!

Você usa bastante as redes sociais? Já teve que lidar com haters por exemplo?

Já tive sim quando viralizei algumas vezes! tive que lidar com haters, isso me afetou, já chorei muito recebendo mensagens ofensivas. Hoje em dia levo com mais naturalidade. Não leio muito o que não me interessa, bloqueio mesmo quem me ofendeu, uso a rede social para fazer o bem e levar a informação, fazer lives informativas.

Graças a Deus com as mídias sociais do SBT eu tenho uma participação forte. A gente tem uma live toda semana no Instagram e uma no Facebook na página do jornalismo do SBT. Não tínhamos essa rotina, eu comecei desde que virei apresentadora. Estamos alimentando as redes do SBT e o público tem crescido muito por conta disso. Então eu fico muito feliz e grata por essa oportunidade de também estar trabalhando com as redes sociais do SBT. Acho que o futuro está por aí.

Quais são os seus objetivos futuros no jornalismo? Tem vontade de fazer algo que nunca fez? Migrar para o entretenimento?

Assim. Eu tenho um pouco desse lado mais alegre. Não quero abandonar nunca o jornalismo, acho que é a minha veia principal! Tenho opiniões fortes mesmo sobre os assuntos. Mas eu acho que tenho um lado mais alegre, brincalhão, descontraído e que a gente consegue fazer um jornal um pouco mais revista eletrônica e um pouco mais leve também, lidando com assuntos em relação à família, a maternidade. Um programa mais voltado para o entretenimento sem deixar o jornalismo de lado. Talvez um sonho mais futuro que é um programa mais diversificado.

Eu quero agradecer, fui muito bem recebida pelo público que já acompanhava o primeiro impacto. Só tenho que agradecer o carinho a todo mundo que acompanha no jornal. E falar que eu sempre me dedico, que eu dou o meu melhor mesmo e tento responder todo mundo que me manda mensagem. E que vocês podem opinar também, podem mandar críticas construtivas que estou aberta também a receber! Eu não sou aquela pessoa fechada, quero receber críticas, tudo o que vem para agregar, tudo que vem com respeito é bem-vindo. também agradecer vocês do Virou Pauta por me dar esse espaço para conhecer um pouquinho melhor a minha história. Estou muito grata muito feliz. finaliza Márcia Dantas.

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*Imagens do texto: Reprodução da Internet*

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