Jornal Hoje: De melhor para o pior telejornal global

Referência na imprensa pela credibilidade do seu jornalismo, a Rede Globo tem atualmente cerca de 8 horas da sua grade dedicada ao noticiário local e nacional. O pilar desse setor e por consequência a sua maior audiência, é o “Jornal Nacional”, que em 2019 completa 50 anos no ar.

Apesar da sua popularidade, o telejornal ancorado por William Bonner e Renata Vasconcellos sempre teve sua linha editorial criticada, principalmente pela “rigidez” e falta de informalidade na bancada. Nos últimos anos, procurando reverter esse cenário, a direção da emissora resolveu acrescentar novidades: os jornalistas passaram a andar pelo cenário, interagir entre si e até ganhou outros destaques, como a jornalista Maju Coutinho, responsável pela previsão do tempo. Mesmo assim, o “JN” continua com a mesma sonolência de outrora.

Em contrapartida, lançado na década de 70 inicialmente como um jornal de exibição local, o “Jornal Hoje” se destacou na programação nos anos 2000 pela sua diversidade jornalística e pela química entre Evaristo Costa e Sandra Annenberg. Numa espécie de revista eletrônica diária, em cada dia da semana um assunto era abordado, como mercado de trabalho, roteiros turísticos, saúde etc. Com esse formato, o “JH” desbancou o principal telejornal da casa e se tornou o destaque do setor. Isso, porém, mudou nos últimos tempos.

Em 2017, o promissor Evaristo deixou a bancada, sendo substituído por Dony de Nuccio. Essa troca não só acabou com a ótima imagem da dupla Costa-Annemberg como também com toda a linguagem do jornal. Desde então, o “Hoje” se tornou uma espécie de edição vespertina do “Nacional”: chato e arrastado. O seu diferencial foi embora com o seu antigo âncora, sem tirar, claro, os méritos e talentos que Sandra e Dony possuem.

Agora com a forte concorrência do “Balanço Geral”, da RecordTV, dificilmente mudanças devem ocorrer por receio de queda dos índices de audiência. Em novembro, pela primeira vez em mais de 40 anos, o noticiário ficou em segundo lugar no embate com a rival. Apesar disso, não existem sinais de novidades pelos próximos tempos, e assim segue a lamentável fase atual do jornalístico. Os bons tempos definitivamente ficaram no passado.

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